terça-feira, 27 de julho de 2010

Sebrae articula medidas para recuperar micro e pequenas empresas atingidas por enchentes

Intermediação junto a bancos públicos para facilitar acesso ao crédito e capacitações de profissionais em áreas atingidas fazem parte de um conjunto de ações



Por Mariana Flores, Agência Sebrae de Notícias


Brasília - Um mês após a enchente que atingiu 39 cidades de Pernambuco e 19 de Alagoas, os empresários locais começam a se reerguer. A estimativa é que mais de 15 mil empreendedores tenham sido afetados nos dois estados. A prioridade do Sebrae neste momento é articular com os bancos públicos – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste - que estão oferecendo linhas de crédito especial para que o dinheiro chegue ao empresário. No início do mês, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou R$ 1 bilhão para empréstimos às áreas atingidas.


"Precisamos garantir que esse dinheiro chegue aos empresários. A destruição desses empreendimentos afeta diretamente a subsistência da própria cidade, pois muitos destes municípios dependem das micro e pequenas empresas para abastecer a cidade e esse comércio foi totalmente devastado", afirma a assessora da Presidência do Sebrae, Raíssa Rossiter, responsável pelo projeto. "Vamos intensificar as articulações com o BNDES e com os bancos para relatar os problemas e tentar solucioná-los", completa.


Nas cidades atingidas estão sendo montados Centros de Atendimento Empresarial (CAE) para atender os empresários. Os técnicos do Sebrae vão ajudar as vítimas a elaborar um projeto de crédito e de negócios. A idéia é ajudar os empresários a aplicar os recursos que serão utilizados para reiniciar.


Além da articulação com os bancos, o Sebrae participa de um grupo de trabalho junto com os ministérios do Desenvolvimento Social, do Trabalho e da Educação e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para oferecer cursos de capacitação para capacitar desempregados dessas regiões. A idéia é que eles sejam treinados para ajudar na reconstrução das cidades. Serão oferecidos principalmente cursos na área de construção civil. A estimativa é que quase 150 mil pessoas estejam desabrigadas, ou seja, o segmento da construção deve ser muito demandado nesse período.


Levantamento das perdas


Em reunião em Brasília ontem (26) os gestores dos projetos nos dois estados – SOS Empresas, em Alagoas, e Reconstruir, em Pernambuco, – apresentaram balanço das ações que estão sendo desenvolvidas. Funcionários do Sebrae estão visitando as regiões atingidas para fazer um levantamento das perdas sofridas. Em Pernambuco, foram entrevistados 2.714 empresários de 12 cidades em situação de calamidade pública. Em Alagoas, o número de empresas consultadas já passa de 3 mil. Destas, dois terços são do setor de comércio e mais de 75% afirmaram que as perdas chegaram à infraestrutura, além do maquinário, das mercadorias e das vendas.


Dono de uma mercearia em Murici, cidade alagoana localizada a 60 quilômetros da capital Maceió, Elias Alves da Silva ainda tentou salvar suas mercadorias. Quando soube que o rio estava cheio, tirou todos os produtos das prateleiras até a altura de 1,6 metro. Mas a água subiu bem mais: cobriu todo o térreo e chegou a uma altura de 15 centímetros no primeiro andar, onde ficava seu estoque. As perdas passam de R$ 20 mil, segundo ele. Os danos físicos ele já começou a recuperar. Gastou toda a poupança que tinha para fazer uma reforma, reerguer as paredes derrubadas pela chuva e reabrir a loja. "Estou endividado, devendo para fornecedores. Não sei como vamos nos manter. Dos três funcionários que a loja tinha, um já foi demitido e não estou trabalhando com estoque nenhum mais", lamenta.

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