sábado, 17 de julho de 2010

Procissão encerra festa da padroeira

Arcebispo de Olinda e Recife, dom Saburido aproveitou a ocasião e disse que autoridades deveriam investir em infraestrutura para evitar enchentes.


Em meio a preces, cerca de 250 mil devotos que estiveram no Centro do Recife, na noite de ontem, para o encerramento dos festejos da padroeira da cidade, Nossa Senhora do Carmo, um puxão de orelha. As palavras pronunciadas pelo arcebispode Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, durante a missa campal, trouxeram à tona mais do que estímulos à fé. A memória das vítimas das enchentes em Pernambuco e Alagoas resultou em uma severa crítica às autoridades.

"Estamos sendo solidários com as vítimas dessa tragédia. Sabemos que precisamos nos unir para que recebam o máximo necessário para reconstruir suas vidas com dignidade. Mas as autoridades precisam fazer algo mais. Construir barragens e fazer o que for necessário e não ficar esperando a próxima enchente para cuidar dos desabrigados", salientou o arcebispo. Dom Fernando ainda lembrou as antigas enchentes que costumavam acontecer no estado até a construção das barragens. "Há anos, tínhamos enchentes bárbaras. Depois dos projetos, conseguimos conter as águas. Agora precisamos de obras realmente mais eficazes nas cidades afetadas", disse.

A tradicional missa campal presidida por dom Saburido ainda levantou outra questão: a legalização do aborto. Com base em uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e pelo Ministério da Saúde, ele citou que de 1995 a 2007 foram realizadas 32 milhões de curetagens no país, procedimento feito após a perda do bebê. O religioso reafirmou o posicionamento da Igreja Católica contra a intervenção letal no feto. "A curetagem após o aborto é a cirurgia mais realizada no país. A vida perdeu totalmente o valor. Os seguidores de Jesus não podem aceitar atitudes como esta", criticou.

A prática do aborto não foi a única condenada pelo religioso. "Na última quinta-feira, o mundo inteiro tomou conhecimento sobre a legalização do casamento gay na Argentina. Mas a Igreja defende a lei natural. O homem foi feito para a mulher. A igreja não é favorável. Esta é uma intervenção contra a lei de Deus".

Apesar das delicadas questões levantadas pelo religioso na celebração, a 314ª edição da Festa de Nossa Senhora do Carmo teve um mote especial. As homenagens à padroeira do Recife foram também em memória da fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança Zilda Arns, morta em janeiro deste ano, no terremoto que devastou o Haiti. "Esta é uma homenagem ao compromisso de fé da missionária. Ela viveu para a evangelização. Sempre preocupada com os pobres. Foi uma mulher que viveu para o bem", salientou o arcebispo.

A procissão de encerramento prevista para ter início às 16h30 começou às 18h. Os fiéis seguiram pela Avenida Nossa Senhora do Carmo, Martins de Barros, pela Praça do República, pela Rua do Sol, Avenida Guararapes e Avenida Dantas Barreto acompanhando o andor da santa padroeira do Recife. Após o trajeto, os devotos retornaram ao Pátio do Carmo para a liturgia de encerramento e a Consagração do Recife à Nossa Senhora do Carmo. Depois, houve show do Padre Reginaldo Manzotti.


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