quinta-feira, 24 de junho de 2010

Poesia

POESIA

Enchente

Rezei tudo o que sabia
mais a chuva não parou.
Se foi meu rancho na enchente,
morreu bicho, morreu gente,
que o rio faminto tragou.

Nas águas, foram lavouras
já no ponto da colheita.
Acho que Deus não estava
e o diabo aproveita
pra engordar sua seita.

Até os bichos de tocas
foram pra longe daqui.
Quero-quero não cantava,
só o corvedo arrodeava
agourando por aqui

A enchente, meus amigos,
é a morte que ronda perto.
Às vezes, destrói um povo!
Quem escapa nasce de novo
sem nada no campo aberto

É a coisa que dá e passa!
É feia, bruta, é um pavor.
Mas quem é peão não cochila,
faz um rancho na coxilha
pra matear com Deus senhor.

Caminhos e Rondas
Gilson Aguiar

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